Grama Missioneira-Gigante Dona Emma

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Grama Missioneira-Gigante Dona Emma é uma gramínea perene excepcional para o clima e o solo da Região Sul. Foi descoberta por acaso, crescendo naturalmente no município de mesmo nome. Dentre as principais características da grama Dona Emma, destaca-se o elevado teor de proteína, alta produtividade e boa alta tolerância ao frio e a geada.

O Clima, o Solo e as Pastagens Sulinas

Composta por Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, a região Sul do Brasil soma cerca de 14 milhões de hectares de pastagens, segundo a EMBRAPA (2017). Em sua maioria, constituídas por gramíneas rasteiras de baixa qualidade.

Com clima subtropical, a Região Sul apresenta estações do ano bem definidas. Ou seja, de abril a setembro normalmente é frio e de outubro a março faz calor. No inverno, ocorrem geadas frequentes e até neve em alguns lugares, sendo a região mais fria do País. Já no verão, algumas áreas litorâneas chegam a marcar 40ºC. No geral, há a presença de umidade e as chuvas são bem distribuídas durante todo o ano. Em relação ao índice pluviométrico, a média anual fica entre 1.250 a 2.000 mm.

O Clima, o Solo e as Pastagens Sulinas
O Clima, o Solo e as Pastagens Sulinas

Com relação aos tipos de solo da Região Sul, estes são de média ou baixa fertilidade, áridos ou alagadiços. Possuem a camada superior rica em minerais e as queimadas anuais ajudam na reposição de nutrientes, principalmente o potássio (K).

Conforme já dito, as pastagens Sul do Brasil são formadas por gramíneas nativas, de baixo valor nutricional. Além do mais, são forrageiras muito susceptíveis ao frio e a geada, tornando-se indisponíveis para os animais após a chegada da estação fria.

Missioneira-Gigante x Dona Emma

Antes de mais nada, um esclarecimento. O termo “Missioneira-Gigante” foi criado pela Epagri para disponibilizar, em 2002, uma cultivar de grama na qual a sequencia das pesquisas deu base à Missioneira-Gigante SCS 315 Catarina Gigante. Contudo, a grama descoberta no munícipio de Dona Emma/SC, nada tem a ver com a SCS 315 Catarina Gigante e foi batizada de Missioneira-Gigante Dona Emma. É importante deixar claro de que, apesar das semelhanças, são gramíneas distintas.

As características da Grama Missioneira-Gigante Dona Emma

Certamente, uma melhores opções de pastagens para o Sul do Brasil, a grama Missioneira-Gigante Dona Emma destaca-se pela folhas tenras, sem pelos, de alta palatabilidade e aceitabilidade pelos animais.

A Missioneira-Gigante Dona Emma apresenta crescimento semiereto, com presença de estolões e grande capacidade de produção de massa verde. Manifesta bastante resistência à cigarrinha-das-pastagens e adapta-se a níveis moderados de sombreamento. Outros destaque fica por conta da forte tolerância ao frio e as geadas.

Qual é o diferencial da Grama Dona Emma?

É uma forrageira perene de verão de alta qualidade e produtividade. Possui destacada aceitação pelos animais. É bem adaptada às condições edafoclimáticas de Santa Catarina, Paraná e Rio Grande do Sul. Assim dizendo, é uma gramínea apropriada para o clima, relevo, temperatura, umidade, tipo de solo e aos níveis de chuva do Sul do Brasil. Aceita ainda, certos níveis de sombreamento.

Qual a origem da Cultivar Missioneira-Gigante Dona Emma?

Esta grama foi descoberta, por acaso, no município de Dona Emma/SC. O responsável pelo brilhante achado, foi o pesquisador extensionista rural da Epagri, Pedro Chiminello. Após a descoberta, essa cultivar foi multiplicada, distribuída e ficou conhecida pelo nome do munícipio onde foi encontrada. Trata-se de um híbrido natural, originário do cruzamento entre a gramíneas da região. Segundo o pesquisador, a Dona Emma possui uma boa capacidade de crescimento, emissão de estolões e perfilhos e boa capacidade de competição com outras espécies, sendo inclusive superior ao cultivar lançado pela Epagri.

A pastagem Dona Emma é recomendada para que tipo de animais?

Essa forrageira é uma opção de valor para bovinos (leite e carne), equinos, ovinos, caprinos, suínos e aves. De elevado potencial de produção de massa verde, apresenta também alta palatabilidade, digestibilidade e significativos níveis de proteína.

Como deve ser manejada esta cultivar de grama?

Precisa ser manejada exclusivamente através do sistema de pastejo rotacionado. A introdução dos animais deve ser feira quando a pastagem alcançar no mínimo de 30 a 40cm de altura. E a retirada quando restarem cerca de 15cm.

A Missioneira-Gigante Dona Emma suporta o frio e as geadas do Sul do Brasil?

Antes de mais nada, a Grama Missioneira-Gigante Dona Emma é uma das pastagens mais adequadas para a Região Sul. De origem catarinense, essa cultivar é uma forrageira produtiva, nutritiva e extremamente adaptada ao clima Sul-Brasileiro. Posto isso, é muito resistente ao frio e a geada. Entretanto, seu crescimento é bastante reduzido durante os meses de baixa temperatura.

Para fins de comparação, temos uma imagem da grama nativa comum de folha larga ao lado da Grama Missioneira-Gigante Dona Emma. As duas fotografias foram feitas após uma geada mediana.

Grama nativa de folha larga e Grama Dona Emma após geada
Grama nativa de folha larga e Grama Dona Emma após geada

Além das características rasteiras e do baixo rendimento da grama nativa, também é perceptível que essa ficou totalmente “queimada” após a geada. No entanto, a cultivar Dona Emma praticamente não manifestou alterações visíveis, seguindo verde e disponível para os animais.

Quais os níveis de proteína da Grama Dona Emma?

A grama Dona Emma apresentou 24% de proteína bruta em resultados preliminares, de um primeiro teste em laboratório, realizado em Lages/SC. Esse mesmo teste também indicou 74% de digestibilidade. São níveis fantásticos para uma gramínea. Porém, novos estudos são necessários.

Plantio da Grama Missioneira-Gigante Dona Emma

Certos cuidados são necessários ao plantar a Missioneira-Gigante Dona Emma, mas não é uma tarefa difícil. Veja a baixo, alguns detalhes que são significativos para o sucesso na implantação dessa cultivar.

Existem sementes da Missioneira-Gigante Dona Emma?

Não. A Dona Emma é uma grama híbrida estéril, portanto não produz sementes viáveis.

Seu plantio deve ser feito unicamente através de mudas ou estolões. O plantio de mudas enraizadas é a forma mais adequada de introdução dessa pastagem. Portanto, aconselha-se adquirir mudas com produtores especializados.

Como plantar a Missioneira-Gigante Dona Emma?

Em áreas onde o solo foi descompactado mecanicamente, o plantio das mudas, pode ser feito através do emprego das chamadas “plantadeiras de fumo”. Mas, em terras onde não é viável fazer a preparação, pode-se empregar um furador feito de metal ou madeira resistente. Nesse caso, a muda é colocada diretamente no buraco feito.

Plantio de Grama Missioneira-Gigante Dona Emma
Plantio de Grama Missioneira-Gigante Dona Emma

Para possibilitar uma alta taxa pegamento, é importante firmar bem as mudas no solo. Além disso, se for possível plantar em época de chuvas regulares ou com irrigação, a taxa de sucesso será aumentada.

Qual a melhor época para plantar essa cultivar?

Aconselha-se realizar o plantio dessa cultivar de meados de setembro até o final de abril. Todavia, o plantio pode ser realizado o ano inteiro, nas regiões mais quentes e litorâneas.

Particularmente, tenho observado excelentes resultados com o plantio em abril, seguido da sobressemeadura de azevém. Dessa forma, com o clima mais ameno do outono, as mudas obtém um excelente pegamento. E por sua vez, o azevém protege as mudas dos ventos frios durante os meses de inverno. Nesse ínterim, a concorrência com ervas daninhas também é menor. Após o frio, as mudas já estão bem enraizadas, fortes e prontas para emitir os estolões. Finalmente, no término da primavera, o azevém deixa uma camada de palha que é prontamente preenchida pela grama Dona Emma.

Como devo preparar o solo?

Para o plantio da grama Dona Emma, pode-se preparar o solo através do sistema convencional (aração/subsolagem/gradagem). Esse método é interessante para terrenos já agricultáveis, que apresentem compactação. Contudo, nas encostas ou áreas arborizadas, pode-se se fazer o plantio direto, após dessecação da grama nativa.

No geral, essa grama é bem adaptada a solos de baixa ou média fertilidade. Porém, em solos muito ácidos, convém fazer a correção através da calagem. Finalmente, para a manutenção da pastagem, é interessante fazer a adubação anual, normalmente no início da primavera e em meados do verão. A adubação orgânica é sempre uma uma escolha a ser considerada.

Quantas mudas eu preciso para a minha área?

Primeiramente, a distância entre mudas será determinante para o tempo de formação da pastagem. Quanto menor a distância, mais rapidamente a pastagem fechará e você poderá introduzir os animais mais cedo. No geral, recomenda-se o plantio da Dona Emma com espaçamentos entre mudas de 50 a 70cm. Sendo assim, antes de decidir o espaçamento entre mudas, você precisa levar alguns critérios em consideração: Tamanho da área, disponibilidade de recursos para compra de mudas e para o plantio, além da urgência em introduzir os animais.

Para calcular a quantidade de mudas necessárias, você pode utilizar a seguinte fórmula matemática:

((1 / Espaçamento entre plantas em metros) / Espaçamento entre linhas em metros) * Área em metros quadrados = Número de mudas necessárias.

Lembre-se, 1 hectare corresponde a 10.000 metros quadrados.

Para facilitar, com espaçamentos de 50cm entre mudas, são necessárias 40 mil mudas/ha. E com espaçamentos de 70cm, são necessárias exatas 20.408 mudas/ha.

Qual é o tempo de formação da pastagem de grama Dona Emma?

O tempo de formação é de 4 a 6 meses em regiões com clima mais quente e em torno de 12 meses em regiões mais frias. Aconselha-se deixar a pastagem “fechar” completamente e atingir uma altura considerável antes da introdução dos animais.

Consórcio com Leguminosas

As leguminosas são excelentes para o consórcio com gramíneas, e a Dona Emma não é exceção. A principal vantagem é que as leguminosas fixam nitrogênio no solo. Isso acontece através de uma relação entre o rizóbio, que é uma bactéria, e o nitrogênio em suas raízes. Ou seja, essas bactérias “fixam” o nitrogênio da atmosfera em amônia, que a planta pode usar para produzir proteínas. Portanto, o resultado desse consórcio é a melhoria do solo e o fortalecimento da gramínea.

A Missioneira-Gigante Dona Emma aceita muito bem o consórcio com leguminosas, com destaque especial para as cultivares de amendoim forrageiro. Para a Região Sul do Brasil, recomenda-se o Arachis pintoi ou Lotus uliginosus SCS 313 Serrano.

Sobressemeadura de Inverno

Considerando que a Dona Emma tem redução no crescimento e produção de matéria verde durante os meses de frio, é recomendado a sobressemeadura de inverno. Tal técnica, permite o maior aproveitamento dessas áreas nesse ínterim. Para resumir, indica-se a semeadura de trevos aveia ou azevém, com destaque especial ao azevém BRS Ponteio da EMBRAPA.

Sistema Silvipastoril

O Sistema Silvipastroril é conhecido por aliar a produção de madeira com a criação de gado. Ou seja, proporciona sombra para os animais e renda extra aos produtores, além de outros benefícios. A tecnologia que integra árvores, pastagens e gado em uma mesma área é conhecida pela sigla ILPF (lavoura-pecuária-floresta).

Missioneira-Gigante Dona Emma em sistema silvipastoril
Missioneira-Gigante Dona Emma em sistema silvipastoril

A grama Dona Emma, por ser tolerante ao sombreamento parcial, é uma forrageira muito recomendada para o sistema silvipastoril.

Considerações sobre a Grama Missioneira-Gigante Dona Emma

A Grama Missioneira-Gigante Dona Emma tem potencial para ser uma importante aliada do produtor rural de Santa Catarina, Paraná e Rio Grande do Sul. É uma pastagem perene de alta qualidade e produtividade, adaptada ao clima e ao solo da Região Sul do Brasil. Em suma, é uma excelente alternativa na alimentação de bovinos, equinos, ovinos, caprinos, suínos e aves.

Apresenta crescimento semiereto, com manifestação de estolões e grande capacidade de alastramento. Certamente, sobressai também a predominância de folhas verdes, alta digestibilidade e palatabilidade, resistência à cigarrinha-das-pastagens e tolerância a níveis moderados de sombreamento.

Essa cultivar pode ser implantada, com bastante facilidade, através do plantio de mudas enraizadas, em espaçamentos entre 50 a 70cm. O preparo do solo não é obrigatório, sendo viável o plantio direto.

E você, já utiliza essa gramínea com sucesso em sua propriedade? Deixe o seu questionamento ou comentário.

Publicado por Saty Jardim em / Atualizado em 5 de maio de 2023

Comentários:
  • luiz zanetti

    Qual a exigência de pH do solo para implantação da dona emma? E em áreas com bastante sombreamento, embaixo de areas com sombreamento de 90% ela consegue se adaptar?

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    • Saty Jardim

      Luiz, o PH ideal é o próximo de 7. No entanto, ela consegue tolerar solos mais ácidos, comuns no Sul do Brasil. Sobre o sombreamento, no máximo 30-40%

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  • Diego Cunha Goncalves

    Plantei a grama Dona Emma em alguns piquetes no meu terreno e está sendo excelente para a engorda dos meus bois.

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    • Saty Jardim

      Realmente a Missioneira-Gigante Dona Emma é uma grama fantástica para o gado, Diego.

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  • Breno Dias Almeida

    A grama Missioneira Gigante Dona Emma pode ser plantada em solos com baixa fertilidade?

    Responder
    • Saty Jardim

      Sim, Breno. A grama Missioneira Gigante Dona Emma é conhecida por sua adaptação a solos com baixa fertilidade.

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  • Vinicius Ferreira

    Qual é a resistência da grama Dona Emma à seca?

    Responder
    • Saty Jardim

      Vinicius, a grama Missioneira-Gigante Dona Emma é resistente à seca e é capaz de se recuperar rapidamente após períodos de estiagem.

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